segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Allana - Michel F.M.


[Allana]

Destoava suplicante
Na saleta dos excluídos,
Ali, jaziam fustigantes
Os descartáveis, defeituosos,

Espaço do refugo,
Destinado aos inferiores;
Na xepa,
Somente o que é abaixo da média,
Teria a descuidada intenção.

Entretudo, Allana adivinha
De terras longínquas,
Concebida no velho mundo

Descendia das clássicas,
Entre Ilíadas-e-lusíadas,

Os argumentos irrefutáveis
E a caligrafia ilegível,
Em última instância,
Épica epopeia inexprimível.

Tua impaciência como qualidade
Beirava o descuido espatifante,
Dum equilíbrio fino, sem igual,
Na desconcertante lateralidade do bambolê.

Conheci Allana na segunda ou na quarta,
Não me lembro ao certo do dia,
O fato é que na sexta,
Allana já era poesia.

Quando ela compreendeu
Que poderia ser o que quisesse,
Ela se tornou
Tudo o que podia.

Allana, em última instância,
Épica epopeia inexprimível,
Os argumentos irrefutáveis
E a caligrafia ilegível.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

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