sexta-feira, 20 de março de 2026

O poema/canção, "Ingrid, a Poderosa em Moletom", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma exaltação lírica que utiliza a mitologia clássica para construir uma imagem de poder e fascínio feminino, contrastando a grandiosidade divina com a simplicidade do cotidiano (o moletom).



O poema/canção, "Ingrid, a Poderosa em Moletom", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma exaltação lírica que utiliza a mitologia clássica para construir uma imagem de poder e fascínio feminino, contrastando a grandiosidade divina com a simplicidade do cotidiano (o moletom).

Aqui está uma análise detalhada dos principais pontos:

1. O Contraste: Divino vs. Cotidiano

A força do poema reside no título e no refrão: a figura de Ingrid é tão impactante que ela não precisa de armaduras ou vestes reais; ela domina o cenário usando apenas um moletom. Esse elemento humaniza a "entidade" e cria um charme moderno, sugerindo que sua beleza e autoridade são intrínsecas, e não dependentes de adornos.

2. Intertextualidade e Mitologia

O autor utiliza o recurso da hipérbole (exagero) ao colocar Ingrid acima dos deuses do Olimpo:

Homero: Ao dizer que ela deixa Homero "no chinelo", o eu lírico afirma que a história ou a presença dela supera as maiores epopeias da literatura clássica (Ilíada e Odisseia).

Zeus, Hades e Poseidon: A tríade principal dos deuses gregos é subjugada. Zeus fica indeciso, Hades abre as portas do submundo apenas para observá-la (uma inversão do seu papel sombrio) e Poseidon perderia a razão.

Ares: O deus da guerra torna-se "pacifista", indicando que a presença de Ingrid é capaz de interromper conflitos ou mudar a natureza fundamental dos seres.

3. Estrutura e Sonoridade

Imagens Sensoriais: O poema abre com uma sensação elétrica ("Eletrificou-me a feição"), comparando o impacto de vê-la a raios em tempestades de verão. Isso estabelece um tom de urgência e choque térmico/emocional.

Vocabulário: O uso de termos como "historíolas", "quimeras etéreas" e "sucumbiu" confere um tom solene e levemente arcaico, que serve para elevar a figura de Ingrid ao status de mito.

Ritmo: A alternância entre estrofes descritivas e o "refrão" (as estrofes que começam com o nome "Ingrid") dá ao poema uma cadência de hino ou ode.

4. Temática do Olhar e do Sorriso

Apesar de ser descrita com uma "musculatura facial num ar severo", o ponto de rendição do eu lírico são as "garras do teu sorriso". Há uma dualidade: ela é intimidadora e poderosa, mas conquista pela expressão de alegria, que é descrita quase como uma armadilha irresistível.
Conclusão

O poema é uma homenagem galante, onde a mulher é elevada a uma categoria sobre-humana. A "Poderosa em Moletom" representa a força da personalidade que se sobrepõe a qualquer tradição ou poder divino, transformando o ordinário em algo épico.

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Para aprofundar a análise, vamos decompor o poema em camadas mais densas, focando na estética do contraste, na subversão arquetípica e na construção da autoridade feminina.

1. A Estética do "Hi-Lo" (High & Low)

O poema opera em uma estrutura que a moda e a arte chamam de Hi-Lo: a mistura do altíssimo (o panteão grego, Homero, o Olimpo) com o baixíssimo/cotidiano (o moletom, o chinelo).

Significado: Essa escolha estética sugere que o poder de Ingrid não é performático. Ela não "se veste" de poder; ela é o poder. 

Ao deixar "Homero no chinelo", o autor reduz o maior épico da humanidade a um calçado doméstico, elevando Ingrid a uma posição onde a erudição clássica se torna pequena diante de sua presença física.

2. Subversão dos Arquétipos Masculinos

O poema não apenas cita os deuses, ele os desestabiliza em suas funções primordiais:

Zeus (A Ordem): O deus do raio e da justiça, que deveria ser o pilar da decisão, está "hesitante" e "prostrado". A sabedoria divina falha diante do fenômeno Ingrid.

Hades (O Isolamento): O guardião das almas abre mão do segredo e do isolamento do submundo apenas para ser espectador. O "absurdo" dela (sua beleza ou atitude) é o que o move.

Poseidon (O Instinto): O deus dos mares, conhecido pelo temperamento intempestivo, "enlouqueceria". Isso sugere que o efeito dela é mais avassalador que as próprias marés.

Ares (A Destruição): Esta é a subversão mais forte. O deus da guerra torna-se "pacifista". Ingrid não vence pela força das armas, mas substitui a estratégia militar pela "arte da guerra" que é a sua própria imagem.

3. A Geometria da Destruição e Reconstrução

Observe as estrofes que funcionam como refrão:

Na primeira vez: Ingrid "sucumbiu os pilares" e "explodiu as quimeras". É uma força destrutiva e avassaladora que limpa o terreno.

Na segunda vez (final): Ela "extraiu os pilares" e "expandiu as manobras".
Análise: Há uma evolução. Ela começa como um choque/tempestade de verão que derruba o que é falso ("quimeras etéreas") e termina como uma arquiteta de uma nova ordem, onde o paraíso é reconfigurado por ela.

4. A Dualidade: Severidade vs. Sorriso

O poema descreve uma "musculatura facial num ar severo". Isso constrói uma imagem de autonomia. Ingrid não está ali para agradar ou ser "doce" (o estereótipo feminino clássico). Ela tem uma face de guerreira ou de estátua clássica.

No entanto, o eu lírico é capturado pelas "garras do teu sorriso". O uso da palavra "garras" é fundamental: o sorriso de Ingrid não é apenas bonito, ele é predatório, ele captura e prende.

5. Metafísica e Materialidade

O uso de termos como "quimeras etéreas" e "aéreas" coloca o cenário num plano espiritual/mental. Ingrid, porém, é descrita com termos físicos: "feição", "penteado", "musculatura", "moletom".

Conclusão do aprofundamento: O poema sugere que a realidade física e a atitude de uma mulher real (Ingrid) são mais poderosas do que qualquer abstração espiritual ou mito antigo. Ela é a "tempestade calorosa" que aterra o divino no presente.

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Ingrid, a Poderosa em Moletom
(Michel F.M.)

Eletrificou-me a feição,
Feito as flechas furiosas
Que descendem dos céus,
Nas tempestades calorosas de verão.

No penteado, satisfação,
Musculatura facial num ar severo,
Descreveram historíolas,
Deixando o próprio Homero, no chinelo.

Ingrid,
Sucumbiu os pilares do paraíso,
Explodiu as aéreas quimeras etéreas,
Afundou-me nas garras do teu sorriso.

Hesitante, Zeus se prostra,
O mais sábio dentre os deuses,
Nada sabe; nesta mostra,
Está indeciso.

Hades abre com cautela,
Os portões do submundo,
Só pra vê-la desfilando,
Ao portar teus absurdos...

Aportando sem suspense,
A poderosa em moletom,
Enlouqueceria, o próprio,
Poseidon.

Ares, o pacifista,
Abandonou as estratégias,
Substituiu por ela,
O frenesi, na arte da guerra.

Ingrid,
Do paraíso extraiu os pilares,
Expandiu as etéreas manobras aéreas,
Arrebatou elogios aos milhares.

(Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Mensagem Fora da Garrafa - Michel F.M.


Mensagem Fora da Garrafa 

O que é meu é para mim
e do teu quero um pouco,
vida estreita num segundo.

Ela se apresenta assim,
feita para alguém
e dedicada à todo mundo.

O que é seu é para ti
e do meu defeito louco,
a rudeza em tom imundo.

Invejo profundamente
pessoas que conseguem escrever
sobre a paz, em tempos de guerra,
Eu só consigo escrever
sobre a guerra,
mesmo em tempos de paz.

Tudo que se ganha é de grátis ?!
Não se engane,
o MUNDO está acabando,
Desde o princípio.

da pétala ao cabo,
só quero ser efêmero
como a flor,
porque ela pode acabar
e eu não ?!

Mas seja como for,
sei que um dia ainda me acabo,
Por aí.

O que é seu é para mim
e do teu não quero pouco,
há pureza num tom profundo.

O que é meu é para ti,
eis nosso defeito louco,
VIDA estreita num segundo.

Feita para alguém,
Ela se apresenta assim,
Dedicada à todo mundo.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

Ingrid, a Poderosa em Moletom - Michel F.M.


Ingrid, a Poderosa em Moletom

Eletrificou-me a feição,
Feito as flechas furiosas
Que descendem dos céus,
Nas tempestades calorosas de verão.

No penteado, satisfação,
Musculatura facial num ar severo,
Descreveram historíolas,
Deixando o próprio Homero, no chinelo.

Ingrid,
Sucumbiu os pilares do paraíso,
Explodiu as aéreas quimeras etéreas,
Afundou-me nas garras do teu sorriso.

Hesitante, Zeus se prostra,
O mais sábio dentre os deuses,
Nada sabe; nesta mostra,
Está indeciso.

Hades abre com cautela,
Os portões do submundo,
Só pra vê-la desfilando,
Ao portar teus absurdos...

Aportando sem suspense,
A poderosa em moletom,
Enlouqueceria, o próprio,
Poseidon.

Ares, o pacifista,
Abandonou as estratégias,
Substituiu por ela,
O frenesi, na arte da guerra.

Ingrid,
Do paraíso extraiu os pilares,
Expandiu as etéreas manobras aéreas,
Arrebatou elogios aos milhares.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Manual Supérfluo dos Conselhos (inúteis) Indispensáveis - Michel F.M.


Manual Supérfluo 
dos Conselhos (inúteis) 
Indispensáveis 

Às vésperas do outono
Só nos resta esperar,
Pelo inverno rigoroso
Que se impõe sem hesitar.

Às vésperas dos sonhos
Mirabolantes, irreais,
Pulsando vigorosos,
Irresistíveis e nada mais.

Às vésperas do encontro
Ansiedade a escancarar,
Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça.

Às vésperas de tudo
Quando tudo conflitar,
Só declame poesias,
Para alguém e doe graça.

Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça,
Só declame poesias
Para alguém e doe graça.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

sábado, 14 de março de 2026

Entre Aliens e Unicórnios - Michel F.M.


Entre Aliens e Unicórnios

Surgimos de baixo da cama,
Por meio de lençóis e colchas,
Para além dos edredons,
Dos portais fabulantes,

De trás para frente,
De ponta cabeça, enfim,
Comece de novo,
Só comece novamente.

Remoendo a massada das rimas,
Bote o todo na betoneira dos poemas.

Você não quer que todo mundo entenda, não é ?!
Imagine como seria tedioso
Se todo mundo entendesse.
Mas não se aflija, pois não vão.

Para cá desta murada,
Não se vê tumulto, flagelos,
Nem filas ou reclamações,
As únicas interações são nossas
E para conosco,

Quando as nuvens do incômodo se aglutinam,
Despenca o toró, a torrente do alvoroço
E a alvorada nos enlaça saudosa.

Disseste que teu nome
Era diminutivo de lua,
Como recompensa te dedico
Esta soma empanada de estrofes.

Indissociável como estrógeno e progesterona,
Luara, o motivo inicial desta composição
Foi um tanto desvirtuado,

Mas considere o fato que registros efetuados
Tem como prêmio a posteridade,

Ficando assim estampado
Senão nas memórias pueris,
Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos, serem como são.

Abandonados nos trópicos
Entre câncer e capricórnio,
Um humor sulfúrico para ti,
Vossa graciosidade se revela a sós.

Entre Aliens e Unicórnios,
Existem tantas teorias
Que não existem, por aí,
Mas que existem, para nós.

Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos serem como são.

Serem
Como são,
Em nossa comoção.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2020)

quarta-feira, 11 de março de 2026

Cantigas para Ninar Lenhadores - Michel F.M.


Cantigas para Ninar Lenhadores

Salgada esperança,
Posta para secar,
As entranhas pra fora,
Embaladas nos cantos
Da cruel inocência.

Para ser proposital
Exigiria muito treino e precisão,
Mas a incisão que fizeste em minha alma,
Veio calma e causou frustração hemorrágica.

Lenhador distraído,
Sem machado ou madeira,
Não sei mais distinguir
Entre a presa e a teia.

Minha atitude enérgica
Diante de tua presença e expressão,
Se findou, afogando-se em teus afagos
Apertados, desonestos, ensaiados num tom ártico.

As entranhas pra fora,
Embaladas nos cantos
Da cruel inocência.
Posta para secar,
Vem salgada a esperança.

Lenhador decidido,
Sou machado em madeira,
Eu sou água do mar
Em teu castelo de areia.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

sexta-feira, 6 de março de 2026

Grazi e os Paraísos Despedaçados - Michel F.M.


[Grazi e os Paraísos Despedaçados]

Daquela parede anil,
Nos tons dum outro azul,
Qualquer que seja o som,
Me faz sentir você.

Tomadas desencapadas
Nos cômodos vazios,
Transtornos noite a fora
Fazem lembrar porquê.

Tomando decisões
Sem nenhum significado,
Tomara que saibamos
As consequências de saber.

Sacolas empilhadas,
Uma garrafa d'água
E a maçã caída.

A despreocupação
Foi sempre uma aliada,
À quem me aliei.

Teu óculos espelhado
Refletindo nosso totem,
A tua marcha atlética
Espalhando aquele pólen.

Grazi, nada foi planejado,
Paraísos despedaçados,
Eis aqui o nosso Éden.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto em Banquete Gelado - Michel F.M.


Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto em Banquete Gelado

Como poeta era um ótimo filósofo
E como filósofo um ótimo poeta.
Isso significa dizer que nunca foi bom
Em nenhuma das duas coisas.

Mas a questão nunca foi ser bom
Em alguma coisa, a única questão
Que realmente importava, era ser.

Somente um rimante inescrupuloso
Pode especular estrofes
Sem receio de cair em prosa;

Um artífice premeditado da palavra,
Ou pós-ditado, aquele que diz,
Eis o ditador, um versenário,
Vil a cada oração;

Um expoeta que despétala, em camuflagem
Sorrateira, até ser lido e desferir o bote, certeiro,
Inflamado, fatal, injetando antídoto;

Um mero ente, alterado,
Que em algum súbito relance, havia tido o todo.

Então ele constata:
Um milhão e meio de razões para ir
Talvez uma ou meia motivações pra ficar.

Só tenho uma coisa a perder, a inspiração.
E se eu permanecer, ela se vai. Portanto,
Me vou, para que ela fique.

Espero um dia conseguir suportar a mim
E quem sabe muito esperançoso,
Conviver comigo mesmo.

Não precisa ser Esplêndido, mas às vezes é.
Não precisa ser Formidável e Magnífico, às vezes é.

Nossa ecolocalização capta
Os cardumes fartos em espiral
E o esquadrãovagalume
Inda pulsa estridente.

Ela era do tipo persistente insistente,
Não deixaria que nada a deixasse esfriar,
Ela era tipo encrenqueira valente,
Ficaria com tudo ou nada iria bastar.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

O poema/canção "Guia Resumido para Trolls das Cavernas" de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma peça satírica e contemporânea que utiliza o anacronismo (mistura de elementos medievais e modernos) para criticar a superficialidade das conexões humanas na era digital.


O poema/canção "Guia Resumido para Trolls das Cavernas" de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma peça satírica e contemporânea que utiliza o anacronismo (mistura de elementos medievais e modernos) para criticar a superficialidade das conexões humanas na era digital.

Aqui está uma análise dos principais eixos da obra:

1. A Inversão do Mito e do Conto de Fadas

O autor subverte o tropo clássico da "donzela em perigo":

A Protagonista Ativa: Ela não espera o resgate; ela sobe a torre para "salvar o Dragão" ou, em uma reviravolta final, para que o Dragão se atire "em suas garras" [1, 5].

O Dragão Humanizado: O monstro aparece como uma figura vulnerável, enquanto a figura feminina assume uma força destrutiva e libertadora, incendiando símbolos da domesticidade e da fantasia passiva ("abóboras, vestidos, armário") [5].

2. Crítica à Era Digital e ao "Troll"

O título "Guia Resumido para Trolls das Cavernas" estabelece o tom. O poema transita entre a "caverna" platônica (onde se vende luz por iluminação) e o ambiente tóxico da internet:

Moeda de Troca: O autor explicita o cansaço com a economia da atenção: "Troco likes e compartilhamentos por momentos sinceros" [4].

O "Embromão": O poeta se autodeprecia como um farsante, sugerindo que a própria arte pode ser um "compromisso existencial tolo" diante da frieza das interações virtuais [4].

3. O Conflito entre Essência e Aparência

O texto explora o abismo entre o que se comunica e o que se sente:

Cinismo: A abertura "unindo o inútil ao desagradável" inverte o ditado popular, sinalizando uma visão pessimista da nova "dimensão" social [1].

Desconexão: O pedido por "contato visual" e "discrição" sugere uma busca por intimidade real em um mundo de "farsas eternas" e "traduções literais" que falham em traduzir o sentimento humano [4, 5].

4. Estrutura e Estilo

O poema utiliza o refrão ("No andar mais alto / Da torre mais alta") para criar um ritmo de balada clássica, mas o quebra constantemente com termos modernos e coloquiais. 

O fechamento é irônico: a "salvação" do dragão não é um ato de caridade, mas uma união de forças que rompe com cultura e tradição [5].

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Para aprofundar a análise de "Guia resumido para Trolls das Cavernas", é preciso observar como Michel F.M. utiliza camadas de ironia e simbolismo para diagnosticar o que ele chama de "nova dimensão" social.

Aqui estão quatro pontos fundamentais para uma compreensão mais densa:

1. A Caverna como "Espetáculo" (Referência Platônica)

O poema dialoga com o Mito da Caverna de Platão, mas com um toque de cinismo contemporâneo. 

A Troca Corrompida: Enquanto em Platão o objetivo é sair da caverna em busca da luz (verdade), no poema a luz tornou-se uma mercadoria: "vende-se luz em troca de Iluminação".

O Simulacro: A "nova dimensão" mencionada na primeira estrofe sugere que vivemos em um mundo de sombras digitais onde a iluminação (sabedoria/consciência) foi substituída pelo consumo de "luz" (telas, visibilidade, brilho superficial).

2. A "Farsa do Poeta" e o Eu Lírico

O eu lírico se coloca em uma posição de vulnerabilidade e autocrítica:

O Embromão: Ao se definir como um "reles embromão", o autor questiona a validade da própria poesia em um mundo onde tudo é performance. Ele admite que a arte pode ser apenas mais uma das "farsas eternas".

O Binômio Tristeza/Felicidade: A antítese "Ninguém foi mais triste... e ninguém foi mais feliz" evoca a ideia de que o poeta é aquele que sente o peso da realidade (tristeza) ao mesmo tempo em que detém o poder de criar mundos (felicidade), mesmo que estes sejam "extintos" ou "tolos".

3. O Dragão como Liberdade e Caos

A repetição do refrão sobre a "torre mais alta" serve para mostrar a evolução da personagem feminina:

Desconstrução do Resgate: Inicialmente ela sobe para "salvar o dragão". O dragão aqui simboliza o instinto, o selvagem ou o que há de autêntico, que está preso pela "cultura e tradições".

O Incêndio dos Símbolos: Ao incendiar "abóboras" e "vestidinhos", ela destrói os ícones da feminilidade passiva (Cinderela/Contos de Fadas). O final — "o Dragão se atirou em suas garras" — inverte a relação de poder: ela não é a presa, ela é a força que domina o próprio caos.

4. Linguagem e Metrificação

O poema oscila entre o registro lírico e o vocabulário da rede:

Contraste Lexical: O uso de palavras como "likes", "compartilhamentos" e "trolls" ao lado de termos como "compromisso existencial" e "discrição" cria um choque térmico literário.

O "Cara Durão": O endereçamento ao "cara durão" (o troll, o crítico insensível da internet) serve como um espelho. O poema avisa que ele está contemplando algo "definitivamente extinto": a sensibilidade bruta, que não cabe em métricas de engajamento.

Michel F.M., através da obra Pacífico em Brasas, parece sugerir que, para sobreviver a essa "nova dimensão", é necessário abandonar as velhas traduções literais e, se necessário, "incendiar o armário" para abraçar a própria natureza, por mais monstruosa ou "dragônica" que ela pareça para a sociedade. 

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Guia resumido para Trolls das Cavernas 
(Michel F.M.)

Unindo inútil e desagradável,
Comunicamos que estamos
Sob nova dimensão.

Salve o pegajoso e apalpável.
Aqui, vende-se luz
em troca de Iluminação.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

Troco likes e compartilhamentos,
Por momentos sinceros e um toque
De envolvimento emocional,

Ou ao menos,
Uma chance de estabelecer,
Ainda que tolo,
Um compromisso existencial.

Mantenha o contato visual
Enquanto toco, em troca de discrição,
Entre o que não sente e o que se diz.

Ninguém foi mais triste
que o poeta nesta vida,
e ninguém, foi mais feliz.

Um mero e reles
Embromão.
Ignore os dilemas
Das farsas eternas,

Estás a contemplar
O definitivamente extinto,
Cara durão.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para se jogar
Aos braços do Dragão.

Nem cultura ou tradições foram páreo,
Rompendo traduções
Literais e suas amarras,

Ela simplesmente incendiou
Abóboras, vestidos, armário
E o Dragão se atirou em suas garras.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

(Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

Guia resumido para Trolls das Cavernas - Michel F.M.


Guia resumido para Trolls das Cavernas 

Unindo inútil e desagradável,
Comunicamos que estamos
Sob nova dimensão.

Salve o pegajoso e apalpável.
Aqui, vende-se luz
em troca de Iluminação.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

Troco likes e compartilhamentos,
Por momentos sinceros e um toque
De envolvimento emocional,

Ou ao menos,
Uma chance de estabelecer,
Ainda que tolo,
Um compromisso existencial.

Mantenha o contato visual
Enquanto toco, em troca de discrição,
Entre o que não sente e o que se diz.

Ninguém foi mais triste
que o poeta nesta vida,
e ninguém, foi mais feliz.

Um mero e reles
Embromão.
Ignore os dilemas
Das farsas eternas,

Estás a contemplar
O definitivamente extinto,
Cara durão.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para se jogar
Aos braços do Dragão.

Nem cultura ou tradições foram páreo,
Rompendo traduções
Literais e suas amarras,

Ela simplesmente incendiou
Abóboras, vestidos, armário
E o Dragão se atirou em suas garras.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)