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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Göshua, o Ex-vampiro de Malggamena - Michel F.M. (Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)


Göshua, 
o Ex-vampiro de Malggamena

Diabólico-trevoso,
De perversidade maligna;
Adjetivos assombrosos
Que jamais o definiriam.
Foste ele em verdade,
Um pobre diabo assustado,
Sem beira nem caldeira.

Desajustado-imperceptível,
Aprisionado em teus desfeitos,
Estupidamente desacorçoado,
Defeituoso por insistência,
Praticante assíduo da mediocridade,
Próximo à decrepitude, gasoso,
Era névoa tóxica engarrafada.

Hermeticamente-fechado-em-si,
Rosqueado pela fadiga mental,
Até quase espanar; letárgico,
Com um léxico decrescente,
Numa autobiografia composta
Por palavra nenhuma, só o vácuo.
Nem pro título, desenvoltura possuía.

Alongados-pontiagudos
Haviam sido; num pretérito o despeito;
Dos caninos teus, restava memória;
Aos molares corroídos, desmantelados,
Já não mais cúspides, apenas obturações
E ressentimento. Os incisivos postos
À retaguarda, não mais de fronte.

Infantilidade-mordaz,
Havia-o consumido quase que
Inteiramente, completamente,
Eficazmente; mas o incrível fio-condutor
Da realidade era suculento,
Não restando-lhe opção outra
A não ser abocanhá-lo,
Permitindo-se a eletrocussão integral.

Figura-de-ação-na-prateleira;
Estático em inatividade intacta,
Fazendo da fantasia poeira.
Por ter sido concebido, gerações antes
Desta, onde tudo é portátil e estilizado,
Colapsou a dinâmica, despersonalizou.

Em-meio-à-crise-identitária,
Sem fortificadas mandíbulas,
Numa atmosfera deprimente,
Esclareceu o quão confusa parecia
A protuberante confusão sem igual,
Constatando que o fio da meada,
Havia desaparecido por inteiro há tempos.

Sua-expressão-fantasmagórica,
Com uma olhadela amarrotada,
Que um dia fora marota, mas neste
Último quarto de século apresentava-se
Desgastada, embutida e descascada.
Naquele redemoinho de clemência,
Uma postura neogótica, escoliótica, arqueada.

Graças-ao-bolor-mofado-da-cripta,
Sofria duma crônica inflamação pulmonar,
Asmática, produzindo muco e secreções;
Aprendeu a duras penas, que a ventilação
Se faz essencial em ambientes
Compactos, pouco arejados e úmidos,
Evitando com ineficácia a temerosa insalubridade.

A luz solar não lhe parecia tão violenta,
Quanto a insônia que o açoitava,
Torturante, arrancava-lhe o descanso,
Perseguindo noite a dentro, fazendo-o
Involuntariamente repousar de dia.
Chiroptera rastejante, outrora um mamífero voador.

O tempo, agindo implacavelmente,
Cravou tuas presas nele, sugando-o,
Irrigando os sabres do esquecimento,
Apoderou-se de suas açucaradas
Lembranças perniciosas, nocivas,
Voluptuosas, lascivas, sensuais.

Pobre alma, desalmada,
Reprimida, escorraçada, despossuída;
Cercada numa quina feito traça;
Aplacada por um severo astigmatismo,
Já não mais via com a mesma nitidez;

Devido a ingestão de um coquetel
Excessivo, dos tipos sanguíneos variados,
Acometeu-lhe uma cirrose hepática.
Sendo enfim, vítima de si mesmo;
Göshua faleceu; pela segunda vez nesta semana.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Manual Supérfluo dos Conselhos (inúteis) Indispensáveis - Michel F.M.


Manual Supérfluo 
dos Conselhos (inúteis) 
Indispensáveis 

Às vésperas do outono
Só nos resta esperar,
Pelo inverno rigoroso
Que se impõe sem hesitar.

Às vésperas dos sonhos
Mirabolantes, irreais,
Pulsando vigorosos,
Irresistíveis e nada mais.

Às vésperas do encontro
Ansiedade a escancarar,
Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça.

Às vésperas de tudo
Quando tudo conflitar,
Só declame poesias,
Para alguém e doe graça.

Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça,
Só declame poesias
Para alguém e doe graça.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

"Pacífico em Brasas" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um poema/canção de tonalidade visceral e niilista, que utiliza o contraste entre a calmaria (Pacífico) e a fúria (Brasas) para articular uma revolta contra a falência das instituições sociais e morais.


"Pacífico em Brasas" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um poema/canção de tonalidade visceral e niilista, que utiliza o contraste entre a calmaria (Pacífico) e a fúria (Brasas) para articular uma revolta contra a falência das instituições sociais e morais.

Aqui está uma análise dos principais eixos da obra:

1. O Título e o Eu Lírico

O título é um oxímoro. O "Pacífico" sugere alguém que atingiu o limite da passividade e, ao transbordar, não busca a paz, mas a destruição regeneradora (as brasas). O eu lírico se posiciona como um agente do caos necessário, rejeitando a "filantropia" e a "tolerância insossa" por considerá-las paliativos inúteis diante de um mundo em "colapso iminente".

2. A Crítica Institucional e Intelectual

O poema dedica versos agressivos à elite intelectual e pedagógica:
  • "Instruídos com nenhuma educação": Ataca catedráticos e acadêmicos, sugerindo que o conhecimento formal não gera ética ou solução para o "flagelo bestial".
  • A Falência da Doutrina: O texto rejeita gurus e mestres, pregando a indisciplina como forma de sobrevivência e progresso.
3. O Choque de Realidade: A Menina e o Legista

O trecho central sobre a "Menina no parque" e a "Condessa no País das Armadilhas" serve como o estopim da fúria.
  • A descrição crua da autópsia ("violação seguida de asfixia") rompe com qualquer lirismo metafórico para aterrar o poema na violência real e brutal.
  • Há uma ironia amarga no final: a criança que nunca recebeu flores em vida é cercada por gardênias e tulipas no cortejo fúnebre — uma crítica à hipocrisia dos ritos sociais que homenageiam os mortos após falharem em proteger os vivos.

4. A Rejeição das Utopias

Diferente de muitos textos de revolta que buscam um "mundo melhor", este poema é anti-utópico:
  • O eu lírico manda "à merda" o equilíbrio, a equidade e a própria utopia.
  • Não se busca a harmonia, mas o "banquete aos relegados". A justiça aqui não é institucional, é vingança e subversão.

5. Estilo e Linguagem

  • Vocabulário: Utiliza termos de peso (inanição, subversivos, distopia, esbraseando).
  • Ritmo: As estrofes finais, com o uso de palavrões e frases diretas, aceleram o ritmo para transmitir um sentimento de "basta" e urgência.
  • Imagens: O uso de elementos térmicos (frio vs. fogo) simboliza a tentativa de aquecer uma sociedade que se tornou "inerte" e "frígida" diante da barbárie.
Resumo: É um manifesto de insurreição individual e coletiva contra uma "podre distopia", onde a única resposta digna à tragédia é a incineração das normas vigentes.

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O contexto sociopolítico de "Pacífico em Brasas" é o de uma sociedade em estágio avançado de degradação institucional e falência ética. O poema não evoca uma revolta política organizada (como um partido ou movimento), mas sim uma insurreição niilista contra o sistema como um todo.

Aqui estão os pilares desse contexto:

1. Crise de Segurança e Ineficiência do Estado

O trecho sobre a menina no parque e a perícia do legista coloca o poema no centro do debate sobre a violência urbana e a ineficiência do sistema de segurança.

A morte brutal e a "autópsia inconclusiva" simbolizam um Estado que falha em proteger o cidadão e, posteriormente, falha em entregar justiça, restando apenas o "corpo inerte em mesa frígida".

2. Descrédito da Elite Intelectual e Acadêmica

O poema reflete um sentimento contemporâneo de hostilidade contra a "torre de marfim" da academia:

Ao atacar "catedráticos, doutores e acadêmicos" como pessoas "instruídas com nenhuma educação", o eu lírico denuncia um sistema educacional que produz títulos, mas é incapaz de resolver as mazelas morais da sociedade. 

É a crítica à negligência estatal e estrutural que mantém desigualdades enquanto a elite intelectual debate teorias distantes da realidade.

3. Falência dos Valores Liberais e Humanistas

O texto marca o fim da crença no diálogo e na "filantropia". O contexto é de um esgotamento com:

Tolerância e Condescendência: O poema vê esses valores como formas de manter o status quo de uma "podre distopia".

Rejeição da Equidade: O eu lírico abandona a busca por reformas graduais ("que se dane a maioria", "foda-se equilíbrio"). Isso reflete um cenário de radicalização onde as soluções moderadas são vistas como hipocrisia.

4. A Revolta dos "Relegados"

O "banquete aos relegados" sugere um contexto de exclusão social extrema. O poema dá voz a um sentimento de vingança de classes ou de grupos marginalizados que, cansados de "relatos deturpados" e de serem geridos por "gurus e molestadores", decidem "indisciplinar as crias" e buscar o que lhes foi tirado através da força ("conquistados violentamente").

Em suma, o cenário é de uma sociedade "Terra Fria" — apática, injusta e tecnocrata — que só pode ser "esbraseada" por uma fúria que não aceita mais as regras do jogo social vigente.

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Pacífico em Brasas
(Michel F.M.)

Após a cordilheira,
Da assombrosa inanição,
No colapso iminente,
Nos resta redenção.

Da valiosa insistência,
Uma mísera porção,
Envolta em resistência,
Nas tantas direções.

Num tempo desprezível,
De pavorosas inversões,
Subversivos verdadeiros,
Podem prover contraversões.

Basta de Filantropia,
Sou Pacífico em Brasas,
Incinerando a Terra Fria.

Morte a tolerância insossa,
Vou progredir pros cantos,
Indisciplinar as crias.

Cordeiros não serão imolados,
Os Deuses da discórdia sangrarão.

Vingança não é prato requentado,
Mas banquete aos relegados
Onde os mesmos se fartarão.

Via pros relatos deturpados,
Destroços valiosos requintados,
Conquistados violentamente,
Gestores do flagelo bestial.

Eméritos, gurus, molestadores,
A doutrina nunca foi a solução,
Catedráticos, doutores, acadêmicos,
Instruídos com nenhuma educação.

Menina foi pro parque ao meio dia,
Condessa no País das Armadilhas,
Autopsia um tanto inconclusiva,
Inerte, jazendo em mesa frígida.

Legista concluiu com maestria,
Violação, seguida de asfixia.

Um Basta a esta podre Distopia,
Sou Pacífico em Brasas,
Esbraseando a Terra Fria.

Morte a condescendência tosca,
Vou progredir pros quintos,
Que se dane a maioria.

Foda-se equilíbrio e equidade,
Que se fodam os raros preciosos,
Fodam-se abundantes generosos
E que assim sendo se foda a Utopia.

Menina nunca foi presenteada,
Com rosas perfumadas nesta vida,
Em torno do cortejo o que se via,
Gardênias, tulipas e margaridas.

Basta de Filantropia,
Sou Pacífico em Brasas,
Incinerando a Terra Fria.

Um Basta a esta podre Distopia,
Sou Pacífico em Brasas,
Esbraseando a Terra Fria.

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(Crônicas de um Espelho Meu
E os Fabulosos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado - Esplêndida Face Magnífica)


sábado, 31 de janeiro de 2026

"Pacífico em Brasas" é uma obra do autor Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) que compõe a sua "Trilogia Mestre dos Pretextos", ocupando a segunda posição na série. O livro é frequentemente descrito como uma peça de arte literária que mescla poesia, filosofia e metafísica.



"Pacífico em Brasas" é uma obra do autor Michel F.M. que compõe a sua "Trilogia Mestre dos Pretextos", ocupando a segunda posição na série. O livro é frequentemente descrito como uma peça de arte literária que mescla poesia, filosofia e metafísica

Abaixo, os pontos principais para uma análise da obra:

1. Temática e Estrutura Literária

A obra não segue uma narrativa convencional, situando-se em uma categoria híbrida entre Artes, Filosofia e Poesia. Michel F.M. explora temas densos como: 

Metafísica: O autor busca transcender o mundo físico para discutir a existência e o ser.

Ética e Moral: Há uma reflexão constante sobre as questões fundamentais da conduta humana.

Movimentos Culturais: A obra analisa como o pensamento evolui através das épocas. 

2. O Estilo Poético e Linguístico

O autor é reconhecido por uma linguagem introspectiva. Um exemplo do tom da obra é o trecho: "Após a cordilheira, da assombrosa inanição, no colapso iminente, nos resta redenção". 

Esse estilo sugere uma busca por redenção em cenários de caos ou colapso, utilizando a "brasa" como metáfora para uma chama latente de existência em meio ao "pacífico" (que pode representar tanto o oceano quanto um estado de quietude). 

3. Contexto na Trilogia

Para compreender "Pacífico em Brasas" em sua plenitude, deve-se considerar o arco completo da trilogia publicada via Clube de Autores:

1. Delírio Absoluto da Multidão Atônita
2. Pacífico em Brasas
3. Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas 

4. Reconhecimento

Michel F.M. é um autor contemporâneo prolífico, com parte de sua coleção incorporada ao acervo da Biblioteca Nacional da França (François Mitterrand), o que confere à sua obra um selo de relevância acadêmica e literária internacional. 

Obras disponíveis no Clube de Autores.

sábado, 23 de março de 2019

Michel F.M. - Escritor, Compositor, Poeta e Sonhador - Bruno Michel Ferraz Margoni - Filósofo, Comunicólogo, Profissional de Educação Física e Professor.











Michel F.M. - Escritor, Compositor, Poeta e Sonhador - Bruno Michel Ferraz Margoni - Filósofo, Comunicólogo, Profissional de Educação Física e Professor.











Michel F.M. - Escritor, Compositor, Poeta e Sonhador - Bruno Michel Ferraz Margoni - Filósofo, Comunicólogo, Profissional de Educação Física e Professor.











Michel F.M. - Escritor, Compositor, Poeta e Sonhador - Bruno Michel Ferraz Margoni - Filósofo, Comunicólogo, Profissional de Educação Física e Professor.