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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Göshua, o Ex-vampiro de Malggamena - Michel F.M. (Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)


Göshua, 
o Ex-vampiro de Malggamena

Diabólico-trevoso,
De perversidade maligna;
Adjetivos assombrosos
Que jamais o definiriam.
Foste ele em verdade,
Um pobre diabo assustado,
Sem beira nem caldeira.

Desajustado-imperceptível,
Aprisionado em teus desfeitos,
Estupidamente desacorçoado,
Defeituoso por insistência,
Praticante assíduo da mediocridade,
Próximo à decrepitude, gasoso,
Era névoa tóxica engarrafada.

Hermeticamente-fechado-em-si,
Rosqueado pela fadiga mental,
Até quase espanar; letárgico,
Com um léxico decrescente,
Numa autobiografia composta
Por palavra nenhuma, só o vácuo.
Nem pro título, desenvoltura possuía.

Alongados-pontiagudos
Haviam sido; num pretérito o despeito;
Dos caninos teus, restava memória;
Aos molares corroídos, desmantelados,
Já não mais cúspides, apenas obturações
E ressentimento. Os incisivos postos
À retaguarda, não mais de fronte.

Infantilidade-mordaz,
Havia-o consumido quase que
Inteiramente, completamente,
Eficazmente; mas o incrível fio-condutor
Da realidade era suculento,
Não restando-lhe opção outra
A não ser abocanhá-lo,
Permitindo-se a eletrocussão integral.

Figura-de-ação-na-prateleira;
Estático em inatividade intacta,
Fazendo da fantasia poeira.
Por ter sido concebido, gerações antes
Desta, onde tudo é portátil e estilizado,
Colapsou a dinâmica, despersonalizou.

Em-meio-à-crise-identitária,
Sem fortificadas mandíbulas,
Numa atmosfera deprimente,
Esclareceu o quão confusa parecia
A protuberante confusão sem igual,
Constatando que o fio da meada,
Havia desaparecido por inteiro há tempos.

Sua-expressão-fantasmagórica,
Com uma olhadela amarrotada,
Que um dia fora marota, mas neste
Último quarto de século apresentava-se
Desgastada, embutida e descascada.
Naquele redemoinho de clemência,
Uma postura neogótica, escoliótica, arqueada.

Graças-ao-bolor-mofado-da-cripta,
Sofria duma crônica inflamação pulmonar,
Asmática, produzindo muco e secreções;
Aprendeu a duras penas, que a ventilação
Se faz essencial em ambientes
Compactos, pouco arejados e úmidos,
Evitando com ineficácia a temerosa insalubridade.

A luz solar não lhe parecia tão violenta,
Quanto a insônia que o açoitava,
Torturante, arrancava-lhe o descanso,
Perseguindo noite a dentro, fazendo-o
Involuntariamente repousar de dia.
Chiroptera rastejante, outrora um mamífero voador.

O tempo, agindo implacavelmente,
Cravou tuas presas nele, sugando-o,
Irrigando os sabres do esquecimento,
Apoderou-se de suas açucaradas
Lembranças perniciosas, nocivas,
Voluptuosas, lascivas, sensuais.

Pobre alma, desalmada,
Reprimida, escorraçada, despossuída;
Cercada numa quina feito traça;
Aplacada por um severo astigmatismo,
Já não mais via com a mesma nitidez;

Devido a ingestão de um coquetel
Excessivo, dos tipos sanguíneos variados,
Acometeu-lhe uma cirrose hepática.
Sendo enfim, vítima de si mesmo;
Göshua faleceu; pela segunda vez nesta semana.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

sexta-feira, 20 de março de 2026

O poema/canção, "Ingrid, a Poderosa em Moletom", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma exaltação lírica que utiliza a mitologia clássica para construir uma imagem de poder e fascínio feminino, contrastando a grandiosidade divina com a simplicidade do cotidiano (o moletom).



O poema/canção, "Ingrid, a Poderosa em Moletom", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma exaltação lírica que utiliza a mitologia clássica para construir uma imagem de poder e fascínio feminino, contrastando a grandiosidade divina com a simplicidade do cotidiano (o moletom).

Aqui está uma análise detalhada dos principais pontos:

1. O Contraste: Divino vs. Cotidiano

A força do poema reside no título e no refrão: a figura de Ingrid é tão impactante que ela não precisa de armaduras ou vestes reais; ela domina o cenário usando apenas um moletom. Esse elemento humaniza a "entidade" e cria um charme moderno, sugerindo que sua beleza e autoridade são intrínsecas, e não dependentes de adornos.

2. Intertextualidade e Mitologia

O autor utiliza o recurso da hipérbole (exagero) ao colocar Ingrid acima dos deuses do Olimpo:

Homero: Ao dizer que ela deixa Homero "no chinelo", o eu lírico afirma que a história ou a presença dela supera as maiores epopeias da literatura clássica (Ilíada e Odisseia).

Zeus, Hades e Poseidon: A tríade principal dos deuses gregos é subjugada. Zeus fica indeciso, Hades abre as portas do submundo apenas para observá-la (uma inversão do seu papel sombrio) e Poseidon perderia a razão.

Ares: O deus da guerra torna-se "pacifista", indicando que a presença de Ingrid é capaz de interromper conflitos ou mudar a natureza fundamental dos seres.

3. Estrutura e Sonoridade

Imagens Sensoriais: O poema abre com uma sensação elétrica ("Eletrificou-me a feição"), comparando o impacto de vê-la a raios em tempestades de verão. Isso estabelece um tom de urgência e choque térmico/emocional.

Vocabulário: O uso de termos como "historíolas", "quimeras etéreas" e "sucumbiu" confere um tom solene e levemente arcaico, que serve para elevar a figura de Ingrid ao status de mito.

Ritmo: A alternância entre estrofes descritivas e o "refrão" (as estrofes que começam com o nome "Ingrid") dá ao poema uma cadência de hino ou ode.

4. Temática do Olhar e do Sorriso

Apesar de ser descrita com uma "musculatura facial num ar severo", o ponto de rendição do eu lírico são as "garras do teu sorriso". Há uma dualidade: ela é intimidadora e poderosa, mas conquista pela expressão de alegria, que é descrita quase como uma armadilha irresistível.
Conclusão

O poema é uma homenagem galante, onde a mulher é elevada a uma categoria sobre-humana. A "Poderosa em Moletom" representa a força da personalidade que se sobrepõe a qualquer tradição ou poder divino, transformando o ordinário em algo épico.

__________________________________________

Para aprofundar a análise, vamos decompor o poema em camadas mais densas, focando na estética do contraste, na subversão arquetípica e na construção da autoridade feminina.

1. A Estética do "Hi-Lo" (High & Low)

O poema opera em uma estrutura que a moda e a arte chamam de Hi-Lo: a mistura do altíssimo (o panteão grego, Homero, o Olimpo) com o baixíssimo/cotidiano (o moletom, o chinelo).

Significado: Essa escolha estética sugere que o poder de Ingrid não é performático. Ela não "se veste" de poder; ela é o poder. 

Ao deixar "Homero no chinelo", o autor reduz o maior épico da humanidade a um calçado doméstico, elevando Ingrid a uma posição onde a erudição clássica se torna pequena diante de sua presença física.

2. Subversão dos Arquétipos Masculinos

O poema não apenas cita os deuses, ele os desestabiliza em suas funções primordiais:

Zeus (A Ordem): O deus do raio e da justiça, que deveria ser o pilar da decisão, está "hesitante" e "prostrado". A sabedoria divina falha diante do fenômeno Ingrid.

Hades (O Isolamento): O guardião das almas abre mão do segredo e do isolamento do submundo apenas para ser espectador. O "absurdo" dela (sua beleza ou atitude) é o que o move.

Poseidon (O Instinto): O deus dos mares, conhecido pelo temperamento intempestivo, "enlouqueceria". Isso sugere que o efeito dela é mais avassalador que as próprias marés.

Ares (A Destruição): Esta é a subversão mais forte. O deus da guerra torna-se "pacifista". Ingrid não vence pela força das armas, mas substitui a estratégia militar pela "arte da guerra" que é a sua própria imagem.

3. A Geometria da Destruição e Reconstrução

Observe as estrofes que funcionam como refrão:

Na primeira vez: Ingrid "sucumbiu os pilares" e "explodiu as quimeras". É uma força destrutiva e avassaladora que limpa o terreno.

Na segunda vez (final): Ela "extraiu os pilares" e "expandiu as manobras".
Análise: Há uma evolução. Ela começa como um choque/tempestade de verão que derruba o que é falso ("quimeras etéreas") e termina como uma arquiteta de uma nova ordem, onde o paraíso é reconfigurado por ela.

4. A Dualidade: Severidade vs. Sorriso

O poema descreve uma "musculatura facial num ar severo". Isso constrói uma imagem de autonomia. Ingrid não está ali para agradar ou ser "doce" (o estereótipo feminino clássico). Ela tem uma face de guerreira ou de estátua clássica.

No entanto, o eu lírico é capturado pelas "garras do teu sorriso". O uso da palavra "garras" é fundamental: o sorriso de Ingrid não é apenas bonito, ele é predatório, ele captura e prende.

5. Metafísica e Materialidade

O uso de termos como "quimeras etéreas" e "aéreas" coloca o cenário num plano espiritual/mental. Ingrid, porém, é descrita com termos físicos: "feição", "penteado", "musculatura", "moletom".

Conclusão do aprofundamento: O poema sugere que a realidade física e a atitude de uma mulher real (Ingrid) são mais poderosas do que qualquer abstração espiritual ou mito antigo. Ela é a "tempestade calorosa" que aterra o divino no presente.

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Ingrid, a Poderosa em Moletom
(Michel F.M.)

Eletrificou-me a feição,
Feito as flechas furiosas
Que descendem dos céus,
Nas tempestades calorosas de verão.

No penteado, satisfação,
Musculatura facial num ar severo,
Descreveram historíolas,
Deixando o próprio Homero, no chinelo.

Ingrid,
Sucumbiu os pilares do paraíso,
Explodiu as aéreas quimeras etéreas,
Afundou-me nas garras do teu sorriso.

Hesitante, Zeus se prostra,
O mais sábio dentre os deuses,
Nada sabe; nesta mostra,
Está indeciso.

Hades abre com cautela,
Os portões do submundo,
Só pra vê-la desfilando,
Ao portar teus absurdos...

Aportando sem suspense,
A poderosa em moletom,
Enlouqueceria, o próprio,
Poseidon.

Ares, o pacifista,
Abandonou as estratégias,
Substituiu por ela,
O frenesi, na arte da guerra.

Ingrid,
Do paraíso extraiu os pilares,
Expandiu as etéreas manobras aéreas,
Arrebatou elogios aos milhares.

(Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Mensagem Fora da Garrafa - Michel F.M.


Mensagem Fora da Garrafa 

O que é meu é para mim
e do teu quero um pouco,
vida estreita num segundo.

Ela se apresenta assim,
feita para alguém
e dedicada à todo mundo.

O que é seu é para ti
e do meu defeito louco,
a rudeza em tom imundo.

Invejo profundamente
pessoas que conseguem escrever
sobre a paz, em tempos de guerra,
Eu só consigo escrever
sobre a guerra,
mesmo em tempos de paz.

Tudo que se ganha é de grátis ?!
Não se engane,
o MUNDO está acabando,
Desde o princípio.

da pétala ao cabo,
só quero ser efêmero
como a flor,
porque ela pode acabar
e eu não ?!

Mas seja como for,
sei que um dia ainda me acabo,
Por aí.

O que é seu é para mim
e do teu não quero pouco,
há pureza num tom profundo.

O que é meu é para ti,
eis nosso defeito louco,
VIDA estreita num segundo.

Feita para alguém,
Ela se apresenta assim,
Dedicada à todo mundo.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

Ingrid, a Poderosa em Moletom - Michel F.M.


Ingrid, a Poderosa em Moletom

Eletrificou-me a feição,
Feito as flechas furiosas
Que descendem dos céus,
Nas tempestades calorosas de verão.

No penteado, satisfação,
Musculatura facial num ar severo,
Descreveram historíolas,
Deixando o próprio Homero, no chinelo.

Ingrid,
Sucumbiu os pilares do paraíso,
Explodiu as aéreas quimeras etéreas,
Afundou-me nas garras do teu sorriso.

Hesitante, Zeus se prostra,
O mais sábio dentre os deuses,
Nada sabe; nesta mostra,
Está indeciso.

Hades abre com cautela,
Os portões do submundo,
Só pra vê-la desfilando,
Ao portar teus absurdos...

Aportando sem suspense,
A poderosa em moletom,
Enlouqueceria, o próprio,
Poseidon.

Ares, o pacifista,
Abandonou as estratégias,
Substituiu por ela,
O frenesi, na arte da guerra.

Ingrid,
Do paraíso extraiu os pilares,
Expandiu as etéreas manobras aéreas,
Arrebatou elogios aos milhares.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Manual Supérfluo dos Conselhos (inúteis) Indispensáveis - Michel F.M.


Manual Supérfluo 
dos Conselhos (inúteis) 
Indispensáveis 

Às vésperas do outono
Só nos resta esperar,
Pelo inverno rigoroso
Que se impõe sem hesitar.

Às vésperas dos sonhos
Mirabolantes, irreais,
Pulsando vigorosos,
Irresistíveis e nada mais.

Às vésperas do encontro
Ansiedade a escancarar,
Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça.

Às vésperas de tudo
Quando tudo conflitar,
Só declame poesias,
Para alguém e doe graça.

Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça,
Só declame poesias
Para alguém e doe graça.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

sábado, 14 de março de 2026

Entre Aliens e Unicórnios - Michel F.M.


Entre Aliens e Unicórnios

Surgimos de baixo da cama,
Por meio de lençóis e colchas,
Para além dos edredons,
Dos portais fabulantes,

De trás para frente,
De ponta cabeça, enfim,
Comece de novo,
Só comece novamente.

Remoendo a massada das rimas,
Bote o todo na betoneira dos poemas.

Você não quer que todo mundo entenda, não é ?!
Imagine como seria tedioso
Se todo mundo entendesse.
Mas não se aflija, pois não vão.

Para cá desta murada,
Não se vê tumulto, flagelos,
Nem filas ou reclamações,
As únicas interações são nossas
E para conosco,

Quando as nuvens do incômodo se aglutinam,
Despenca o toró, a torrente do alvoroço
E a alvorada nos enlaça saudosa.

Disseste que teu nome
Era diminutivo de lua,
Como recompensa te dedico
Esta soma empanada de estrofes.

Indissociável como estrógeno e progesterona,
Luara, o motivo inicial desta composição
Foi um tanto desvirtuado,

Mas considere o fato que registros efetuados
Tem como prêmio a posteridade,

Ficando assim estampado
Senão nas memórias pueris,
Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos, serem como são.

Abandonados nos trópicos
Entre câncer e capricórnio,
Um humor sulfúrico para ti,
Vossa graciosidade se revela a sós.

Entre Aliens e Unicórnios,
Existem tantas teorias
Que não existem, por aí,
Mas que existem, para nós.

Ao menos em nossa comoção,
Deixemos todas as condições
E os bem feitos serem como são.

Serem
Como são,
Em nossa comoção.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2020)

sexta-feira, 6 de março de 2026

Grazi e os Paraísos Despedaçados - Michel F.M.


[Grazi e os Paraísos Despedaçados]

Daquela parede anil,
Nos tons dum outro azul,
Qualquer que seja o som,
Me faz sentir você.

Tomadas desencapadas
Nos cômodos vazios,
Transtornos noite a fora
Fazem lembrar porquê.

Tomando decisões
Sem nenhum significado,
Tomara que saibamos
As consequências de saber.

Sacolas empilhadas,
Uma garrafa d'água
E a maçã caída.

A despreocupação
Foi sempre uma aliada,
À quem me aliei.

Teu óculos espelhado
Refletindo nosso totem,
A tua marcha atlética
Espalhando aquele pólen.

Grazi, nada foi planejado,
Paraísos despedaçados,
Eis aqui o nosso Éden.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto em Banquete Gelado - Michel F.M.


Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto em Banquete Gelado

Como poeta era um ótimo filósofo
E como filósofo um ótimo poeta.
Isso significa dizer que nunca foi bom
Em nenhuma das duas coisas.

Mas a questão nunca foi ser bom
Em alguma coisa, a única questão
Que realmente importava, era ser.

Somente um rimante inescrupuloso
Pode especular estrofes
Sem receio de cair em prosa;

Um artífice premeditado da palavra,
Ou pós-ditado, aquele que diz,
Eis o ditador, um versenário,
Vil a cada oração;

Um expoeta que despétala, em camuflagem
Sorrateira, até ser lido e desferir o bote, certeiro,
Inflamado, fatal, injetando antídoto;

Um mero ente, alterado,
Que em algum súbito relance, havia tido o todo.

Então ele constata:
Um milhão e meio de razões para ir
Talvez uma ou meia motivações pra ficar.

Só tenho uma coisa a perder, a inspiração.
E se eu permanecer, ela se vai. Portanto,
Me vou, para que ela fique.

Espero um dia conseguir suportar a mim
E quem sabe muito esperançoso,
Conviver comigo mesmo.

Não precisa ser Esplêndido, mas às vezes é.
Não precisa ser Formidável e Magnífico, às vezes é.

Nossa ecolocalização capta
Os cardumes fartos em espiral
E o esquadrãovagalume
Inda pulsa estridente.

Ela era do tipo persistente insistente,
Não deixaria que nada a deixasse esfriar,
Ela era tipo encrenqueira valente,
Ficaria com tudo ou nada iria bastar.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

O poema/canção "Guia Resumido para Trolls das Cavernas" de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma peça satírica e contemporânea que utiliza o anacronismo (mistura de elementos medievais e modernos) para criticar a superficialidade das conexões humanas na era digital.


O poema/canção "Guia Resumido para Trolls das Cavernas" de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma peça satírica e contemporânea que utiliza o anacronismo (mistura de elementos medievais e modernos) para criticar a superficialidade das conexões humanas na era digital.

Aqui está uma análise dos principais eixos da obra:

1. A Inversão do Mito e do Conto de Fadas

O autor subverte o tropo clássico da "donzela em perigo":

A Protagonista Ativa: Ela não espera o resgate; ela sobe a torre para "salvar o Dragão" ou, em uma reviravolta final, para que o Dragão se atire "em suas garras" [1, 5].

O Dragão Humanizado: O monstro aparece como uma figura vulnerável, enquanto a figura feminina assume uma força destrutiva e libertadora, incendiando símbolos da domesticidade e da fantasia passiva ("abóboras, vestidos, armário") [5].

2. Crítica à Era Digital e ao "Troll"

O título "Guia Resumido para Trolls das Cavernas" estabelece o tom. O poema transita entre a "caverna" platônica (onde se vende luz por iluminação) e o ambiente tóxico da internet:

Moeda de Troca: O autor explicita o cansaço com a economia da atenção: "Troco likes e compartilhamentos por momentos sinceros" [4].

O "Embromão": O poeta se autodeprecia como um farsante, sugerindo que a própria arte pode ser um "compromisso existencial tolo" diante da frieza das interações virtuais [4].

3. O Conflito entre Essência e Aparência

O texto explora o abismo entre o que se comunica e o que se sente:

Cinismo: A abertura "unindo o inútil ao desagradável" inverte o ditado popular, sinalizando uma visão pessimista da nova "dimensão" social [1].

Desconexão: O pedido por "contato visual" e "discrição" sugere uma busca por intimidade real em um mundo de "farsas eternas" e "traduções literais" que falham em traduzir o sentimento humano [4, 5].

4. Estrutura e Estilo

O poema utiliza o refrão ("No andar mais alto / Da torre mais alta") para criar um ritmo de balada clássica, mas o quebra constantemente com termos modernos e coloquiais. 

O fechamento é irônico: a "salvação" do dragão não é um ato de caridade, mas uma união de forças que rompe com cultura e tradição [5].

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Para aprofundar a análise de "Guia resumido para Trolls das Cavernas", é preciso observar como Michel F.M. utiliza camadas de ironia e simbolismo para diagnosticar o que ele chama de "nova dimensão" social.

Aqui estão quatro pontos fundamentais para uma compreensão mais densa:

1. A Caverna como "Espetáculo" (Referência Platônica)

O poema dialoga com o Mito da Caverna de Platão, mas com um toque de cinismo contemporâneo. 

A Troca Corrompida: Enquanto em Platão o objetivo é sair da caverna em busca da luz (verdade), no poema a luz tornou-se uma mercadoria: "vende-se luz em troca de Iluminação".

O Simulacro: A "nova dimensão" mencionada na primeira estrofe sugere que vivemos em um mundo de sombras digitais onde a iluminação (sabedoria/consciência) foi substituída pelo consumo de "luz" (telas, visibilidade, brilho superficial).

2. A "Farsa do Poeta" e o Eu Lírico

O eu lírico se coloca em uma posição de vulnerabilidade e autocrítica:

O Embromão: Ao se definir como um "reles embromão", o autor questiona a validade da própria poesia em um mundo onde tudo é performance. Ele admite que a arte pode ser apenas mais uma das "farsas eternas".

O Binômio Tristeza/Felicidade: A antítese "Ninguém foi mais triste... e ninguém foi mais feliz" evoca a ideia de que o poeta é aquele que sente o peso da realidade (tristeza) ao mesmo tempo em que detém o poder de criar mundos (felicidade), mesmo que estes sejam "extintos" ou "tolos".

3. O Dragão como Liberdade e Caos

A repetição do refrão sobre a "torre mais alta" serve para mostrar a evolução da personagem feminina:

Desconstrução do Resgate: Inicialmente ela sobe para "salvar o dragão". O dragão aqui simboliza o instinto, o selvagem ou o que há de autêntico, que está preso pela "cultura e tradições".

O Incêndio dos Símbolos: Ao incendiar "abóboras" e "vestidinhos", ela destrói os ícones da feminilidade passiva (Cinderela/Contos de Fadas). O final — "o Dragão se atirou em suas garras" — inverte a relação de poder: ela não é a presa, ela é a força que domina o próprio caos.

4. Linguagem e Metrificação

O poema oscila entre o registro lírico e o vocabulário da rede:

Contraste Lexical: O uso de palavras como "likes", "compartilhamentos" e "trolls" ao lado de termos como "compromisso existencial" e "discrição" cria um choque térmico literário.

O "Cara Durão": O endereçamento ao "cara durão" (o troll, o crítico insensível da internet) serve como um espelho. O poema avisa que ele está contemplando algo "definitivamente extinto": a sensibilidade bruta, que não cabe em métricas de engajamento.

Michel F.M., através da obra Pacífico em Brasas, parece sugerir que, para sobreviver a essa "nova dimensão", é necessário abandonar as velhas traduções literais e, se necessário, "incendiar o armário" para abraçar a própria natureza, por mais monstruosa ou "dragônica" que ela pareça para a sociedade. 

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Guia resumido para Trolls das Cavernas 
(Michel F.M.)

Unindo inútil e desagradável,
Comunicamos que estamos
Sob nova dimensão.

Salve o pegajoso e apalpável.
Aqui, vende-se luz
em troca de Iluminação.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

Troco likes e compartilhamentos,
Por momentos sinceros e um toque
De envolvimento emocional,

Ou ao menos,
Uma chance de estabelecer,
Ainda que tolo,
Um compromisso existencial.

Mantenha o contato visual
Enquanto toco, em troca de discrição,
Entre o que não sente e o que se diz.

Ninguém foi mais triste
que o poeta nesta vida,
e ninguém, foi mais feliz.

Um mero e reles
Embromão.
Ignore os dilemas
Das farsas eternas,

Estás a contemplar
O definitivamente extinto,
Cara durão.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para se jogar
Aos braços do Dragão.

Nem cultura ou tradições foram páreo,
Rompendo traduções
Literais e suas amarras,

Ela simplesmente incendiou
Abóboras, vestidos, armário
E o Dragão se atirou em suas garras.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

(Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

Guia resumido para Trolls das Cavernas - Michel F.M.


Guia resumido para Trolls das Cavernas 

Unindo inútil e desagradável,
Comunicamos que estamos
Sob nova dimensão.

Salve o pegajoso e apalpável.
Aqui, vende-se luz
em troca de Iluminação.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

Troco likes e compartilhamentos,
Por momentos sinceros e um toque
De envolvimento emocional,

Ou ao menos,
Uma chance de estabelecer,
Ainda que tolo,
Um compromisso existencial.

Mantenha o contato visual
Enquanto toco, em troca de discrição,
Entre o que não sente e o que se diz.

Ninguém foi mais triste
que o poeta nesta vida,
e ninguém, foi mais feliz.

Um mero e reles
Embromão.
Ignore os dilemas
Das farsas eternas,

Estás a contemplar
O definitivamente extinto,
Cara durão.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para se jogar
Aos braços do Dragão.

Nem cultura ou tradições foram páreo,
Rompendo traduções
Literais e suas amarras,

Ela simplesmente incendiou
Abóboras, vestidos, armário
E o Dragão se atirou em suas garras.

No andar mais alto
Da torre mais alta,
Ela subiu, para salvar o Dragão.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Allana - Michel F.M.


[Allana]

Destoava suplicante
Na saleta dos excluídos,
Ali, jaziam fustigantes
Os descartáveis, defeituosos,

Espaço do refugo,
Destinado aos inferiores;
Na xepa,
Somente o que é abaixo da média,
Teria a descuidada intenção.

Entretudo, Allana adivinha
De terras longínquas,
Concebida no velho mundo

Descendia das clássicas,
Entre Ilíadas-e-lusíadas,

Os argumentos irrefutáveis
E a caligrafia ilegível,
Em última instância,
Épica epopeia inexprimível.

Tua impaciência como qualidade
Beirava o descuido espatifante,
Dum equilíbrio fino, sem igual,
Na desconcertante lateralidade do bambolê.

Conheci Allana na segunda ou na quarta,
Não me lembro ao certo do dia,
O fato é que na sexta,
Allana já era poesia.

Quando ela compreendeu
Que poderia ser o que quisesse,
Ela se tornou
Tudo o que podia.

Allana, em última instância,
Épica epopeia inexprimível,
Os argumentos irrefutáveis
E a caligrafia ilegível.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

O Homem que Lascou a Pedra - Michel F.M.


[O Homem que Lascou a Pedra]

E assim tem sido,
Um saboroso desmembramento
Num esquecido desenrolar,

Das rupestres garatujas,
Cavernosas,
Aos hieróglifos cintilantes
Dos smartphones,

Quase sempre trata-se de algo
E alguém.

O relacionamento
Mais duradouro
Que estabeleci na vida,
Foi entre eu e minha barba.

Não inventei a roda,
Desconheço as teorias totais
Que tratam de tudo,
Pra onde vai ou de onde veio.

Não entendo de espaço
E assim despeço-me,
Da exclusiva forma que conheço,

Observando deflagrarmos
Tamanha diarreia atitudinal
Contra nossos pares.

Entre Sapiens e Sapiência, registro:
Não nasci para horários,
Agendamentos, expedientes,
Turnos, períodos, escalas,
Compromissos ou rotinas.

Já passei dias a fio
Rascunhando poesias
E tão somente fiando,
Em paz ciente, poesias,

Sem nem mesmo me dar conta,
Neste pequenino multiverso,
Que no último milhão de anos,
O dia virara noite e a noite virara dia.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

"Pacífico em Brasas" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um poema/canção de tonalidade visceral e niilista, que utiliza o contraste entre a calmaria (Pacífico) e a fúria (Brasas) para articular uma revolta contra a falência das instituições sociais e morais.


"Pacífico em Brasas" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um poema/canção de tonalidade visceral e niilista, que utiliza o contraste entre a calmaria (Pacífico) e a fúria (Brasas) para articular uma revolta contra a falência das instituições sociais e morais.

Aqui está uma análise dos principais eixos da obra:

1. O Título e o Eu Lírico

O título é um oxímoro. O "Pacífico" sugere alguém que atingiu o limite da passividade e, ao transbordar, não busca a paz, mas a destruição regeneradora (as brasas). O eu lírico se posiciona como um agente do caos necessário, rejeitando a "filantropia" e a "tolerância insossa" por considerá-las paliativos inúteis diante de um mundo em "colapso iminente".

2. A Crítica Institucional e Intelectual

O poema dedica versos agressivos à elite intelectual e pedagógica:
  • "Instruídos com nenhuma educação": Ataca catedráticos e acadêmicos, sugerindo que o conhecimento formal não gera ética ou solução para o "flagelo bestial".
  • A Falência da Doutrina: O texto rejeita gurus e mestres, pregando a indisciplina como forma de sobrevivência e progresso.
3. O Choque de Realidade: A Menina e o Legista

O trecho central sobre a "Menina no parque" e a "Condessa no País das Armadilhas" serve como o estopim da fúria.
  • A descrição crua da autópsia ("violação seguida de asfixia") rompe com qualquer lirismo metafórico para aterrar o poema na violência real e brutal.
  • Há uma ironia amarga no final: a criança que nunca recebeu flores em vida é cercada por gardênias e tulipas no cortejo fúnebre — uma crítica à hipocrisia dos ritos sociais que homenageiam os mortos após falharem em proteger os vivos.

4. A Rejeição das Utopias

Diferente de muitos textos de revolta que buscam um "mundo melhor", este poema é anti-utópico:
  • O eu lírico manda "à merda" o equilíbrio, a equidade e a própria utopia.
  • Não se busca a harmonia, mas o "banquete aos relegados". A justiça aqui não é institucional, é vingança e subversão.

5. Estilo e Linguagem

  • Vocabulário: Utiliza termos de peso (inanição, subversivos, distopia, esbraseando).
  • Ritmo: As estrofes finais, com o uso de palavrões e frases diretas, aceleram o ritmo para transmitir um sentimento de "basta" e urgência.
  • Imagens: O uso de elementos térmicos (frio vs. fogo) simboliza a tentativa de aquecer uma sociedade que se tornou "inerte" e "frígida" diante da barbárie.
Resumo: É um manifesto de insurreição individual e coletiva contra uma "podre distopia", onde a única resposta digna à tragédia é a incineração das normas vigentes.

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O contexto sociopolítico de "Pacífico em Brasas" é o de uma sociedade em estágio avançado de degradação institucional e falência ética. O poema não evoca uma revolta política organizada (como um partido ou movimento), mas sim uma insurreição niilista contra o sistema como um todo.

Aqui estão os pilares desse contexto:

1. Crise de Segurança e Ineficiência do Estado

O trecho sobre a menina no parque e a perícia do legista coloca o poema no centro do debate sobre a violência urbana e a ineficiência do sistema de segurança.

A morte brutal e a "autópsia inconclusiva" simbolizam um Estado que falha em proteger o cidadão e, posteriormente, falha em entregar justiça, restando apenas o "corpo inerte em mesa frígida".

2. Descrédito da Elite Intelectual e Acadêmica

O poema reflete um sentimento contemporâneo de hostilidade contra a "torre de marfim" da academia:

Ao atacar "catedráticos, doutores e acadêmicos" como pessoas "instruídas com nenhuma educação", o eu lírico denuncia um sistema educacional que produz títulos, mas é incapaz de resolver as mazelas morais da sociedade. 

É a crítica à negligência estatal e estrutural que mantém desigualdades enquanto a elite intelectual debate teorias distantes da realidade.

3. Falência dos Valores Liberais e Humanistas

O texto marca o fim da crença no diálogo e na "filantropia". O contexto é de um esgotamento com:

Tolerância e Condescendência: O poema vê esses valores como formas de manter o status quo de uma "podre distopia".

Rejeição da Equidade: O eu lírico abandona a busca por reformas graduais ("que se dane a maioria", "foda-se equilíbrio"). Isso reflete um cenário de radicalização onde as soluções moderadas são vistas como hipocrisia.

4. A Revolta dos "Relegados"

O "banquete aos relegados" sugere um contexto de exclusão social extrema. O poema dá voz a um sentimento de vingança de classes ou de grupos marginalizados que, cansados de "relatos deturpados" e de serem geridos por "gurus e molestadores", decidem "indisciplinar as crias" e buscar o que lhes foi tirado através da força ("conquistados violentamente").

Em suma, o cenário é de uma sociedade "Terra Fria" — apática, injusta e tecnocrata — que só pode ser "esbraseada" por uma fúria que não aceita mais as regras do jogo social vigente.

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Pacífico em Brasas
(Michel F.M.)

Após a cordilheira,
Da assombrosa inanição,
No colapso iminente,
Nos resta redenção.

Da valiosa insistência,
Uma mísera porção,
Envolta em resistência,
Nas tantas direções.

Num tempo desprezível,
De pavorosas inversões,
Subversivos verdadeiros,
Podem prover contraversões.

Basta de Filantropia,
Sou Pacífico em Brasas,
Incinerando a Terra Fria.

Morte a tolerância insossa,
Vou progredir pros cantos,
Indisciplinar as crias.

Cordeiros não serão imolados,
Os Deuses da discórdia sangrarão.

Vingança não é prato requentado,
Mas banquete aos relegados
Onde os mesmos se fartarão.

Via pros relatos deturpados,
Destroços valiosos requintados,
Conquistados violentamente,
Gestores do flagelo bestial.

Eméritos, gurus, molestadores,
A doutrina nunca foi a solução,
Catedráticos, doutores, acadêmicos,
Instruídos com nenhuma educação.

Menina foi pro parque ao meio dia,
Condessa no País das Armadilhas,
Autopsia um tanto inconclusiva,
Inerte, jazendo em mesa frígida.

Legista concluiu com maestria,
Violação, seguida de asfixia.

Um Basta a esta podre Distopia,
Sou Pacífico em Brasas,
Esbraseando a Terra Fria.

Morte a condescendência tosca,
Vou progredir pros quintos,
Que se dane a maioria.

Foda-se equilíbrio e equidade,
Que se fodam os raros preciosos,
Fodam-se abundantes generosos
E que assim sendo se foda a Utopia.

Menina nunca foi presenteada,
Com rosas perfumadas nesta vida,
Em torno do cortejo o que se via,
Gardênias, tulipas e margaridas.

Basta de Filantropia,
Sou Pacífico em Brasas,
Incinerando a Terra Fria.

Um Basta a esta podre Distopia,
Sou Pacífico em Brasas,
Esbraseando a Terra Fria.

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(Crônicas de um Espelho Meu
E os Fabulosos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado - Esplêndida Face Magnífica)


sábado, 31 de janeiro de 2026

"Pacífico em Brasas" é uma obra do autor Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) que compõe a sua "Trilogia Mestre dos Pretextos", ocupando a segunda posição na série. O livro é frequentemente descrito como uma peça de arte literária que mescla poesia, filosofia e metafísica.



"Pacífico em Brasas" é uma obra do autor Michel F.M. que compõe a sua "Trilogia Mestre dos Pretextos", ocupando a segunda posição na série. O livro é frequentemente descrito como uma peça de arte literária que mescla poesia, filosofia e metafísica

Abaixo, os pontos principais para uma análise da obra:

1. Temática e Estrutura Literária

A obra não segue uma narrativa convencional, situando-se em uma categoria híbrida entre Artes, Filosofia e Poesia. Michel F.M. explora temas densos como: 

Metafísica: O autor busca transcender o mundo físico para discutir a existência e o ser.

Ética e Moral: Há uma reflexão constante sobre as questões fundamentais da conduta humana.

Movimentos Culturais: A obra analisa como o pensamento evolui através das épocas. 

2. O Estilo Poético e Linguístico

O autor é reconhecido por uma linguagem introspectiva. Um exemplo do tom da obra é o trecho: "Após a cordilheira, da assombrosa inanição, no colapso iminente, nos resta redenção". 

Esse estilo sugere uma busca por redenção em cenários de caos ou colapso, utilizando a "brasa" como metáfora para uma chama latente de existência em meio ao "pacífico" (que pode representar tanto o oceano quanto um estado de quietude). 

3. Contexto na Trilogia

Para compreender "Pacífico em Brasas" em sua plenitude, deve-se considerar o arco completo da trilogia publicada via Clube de Autores:

1. Delírio Absoluto da Multidão Atônita
2. Pacífico em Brasas
3. Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas 

4. Reconhecimento

Michel F.M. é um autor contemporâneo prolífico, com parte de sua coleção incorporada ao acervo da Biblioteca Nacional da França (François Mitterrand), o que confere à sua obra um selo de relevância acadêmica e literária internacional. 

Obras disponíveis no Clube de Autores.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Poeta Michel F.M. convidado para o Prêmio Jabuti 2021 - Bruno Michel Ferraz Margoni, poeta, escritor, compositor, filósofo ⛩️


Bruno Michel Ferraz Margoni © Poeta, Escritor, Compositor, Filósofo, Educador, Comunicólogo, Publicitário, Profissional de Educação Física, Antologista, Slackliner.

Membro-Fundador e Acadêmico Imortal da AISLA - Academia Intercontinental Sênior de Literatura e Arte e da Ordem Literária Omnium (OLO).

Graduado em Comunicação Social, Educação Física e Filosofia. Especialista em Psicologia aplicada à Educação Física e ao Desporto e Metodologia do Ensino de Arte.

Membro do acervo de Literatura em Língua Lusófona da Biblioteca Nacional da França/BnF. Expôs suas obras em Paris no ano de 2016.

Fundador, Editor-chefe e Antologista na Editora Antologias Conectatum, desenvolveu o projeto editorial para diversos livros, incluindo Eclipse Vital (Volumes 1, 2 e 3); Espírito Celeste; e a Trilogia Coleção Opostos, composta por "Na Textura Sólida das Nuvens", "Na Frieza do Magma" e "Amarga Doçura" (antologias de poemas, contos e crônicas), que condensa obras de grandes autoras e autores contemporâneos. Idealizador do Projeto Movimentalize e do 1º Prêmio de Literatura Coleção Opostos.

Participou de centenas de publicações em antologias, revistas, jornais, demais mídias impressas, digitais e concursos literários nacionais e internacionais. Recebeu a medalha Máximo Gorki e o Título de Referência Literária no 1⁰ Prêmio Apontador: Evidências Literárias. Membro Vitalício e Acadêmico Imortal da AIL - Academia Independente de Letras (Cadeira 193: Conectatum). Laureado com a Comenda da Ordem Literária Scriptorium.

Autor convidado do Prêmio Jabuti. Professor Titular de Cargo Efetivo na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Aprovado no Concurso de Mestrado Profissional em Educação Física pela UNESP 2021. Autor de 21 livros publicados.

Perito em Contradições, Sujeito Insubordinado, Mestre dos Pretextos. Contestador por formação, Comunicador por opção e Rimante por acidente. Utiliza o pseudônimo Michel F.M. para assinar suas composições.

Nascido em 13 de fevereiro de 1988, na cidade de Salto interior de São Paulo. Primogênito de Sandra Denize Ferraz Margoni, contabilista graduada pela PUC, professora, militante feminista, pós-graduada em gerência de cidades, liderou a Coordenadoria da Mulher; e Emilio Angelo Margoni, ativista social, consultor em marketing político, assessor parlamentar, pós-graduado em gestão pública; irmão de Cynthia Ferraz, bailarina, circense, profissional de educação física, senior artist em turnês pela Europa, África, Escandinávia e Oriente Médio. Neto de Segunda Bergamo (Bído).

Michel F.M. começa a compor aos quinze anos, integra diversas bandas de rock alternativo. Idealizador e vocalista dos projetos de música autoral "Samaritano" e "Elo Solene".

Em 2008 recebe uma Menção Honrosa no XVIII Prêmio Moutonnée de Poesia, sendo aclamado pelo público por sua canção "A Fábula do Lobo que amou a Lua".

No ano de 2009 conclui o Bacharelado em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda (CEUNSP), na condição de bolsista integral pelo Prouni.

Em 2010 publica “Mais um Amanhecer” e “Elo Solene”. Ainda neste ano é convidado a participar do Prêmio Internacional de Poesia “Du Bocage” de Portugal.

Inicia 2011 publicando “(Des) rimando” e “O Último Registro da Raça Humana”, explorando o universo da prosa poética. E finalmente lança sua obra-prima "Áspera Seda", considerado pela crítica literária como sendo um dos melhores livros da Poesia Contemporânea.

No inverno de 2012, finaliza as obras "Impressão Intensa" e "Conectatum", emergindo numa discussão poético-filosófica acerca da condição humana, suas misérias e magnitudes, discorrendo sobre os fatos que nos sentenciaram à existência. Seguem-se a estas publicações duas antologias, "Áspera Seda: Volume Único" (1ª e 2ª Edição). Neste mesmo ano conclui sua Especialização em Metodologia do Ensino de Artes com o artigo "A Arte Cênica como Instrumento para o Desenvolvimento Cognitivo da Criança".

No ano de 2013 traz à tona sua oitava obra lírica, após exatos dez anos de composições, intitulada "Linha (Tênue) Rompida", recheada com estrofes viscerais de um profundo teor autobiográfico; sucedida por “Piekarzewicz” uma epopeia em versos livres, intrincada pela trama político-ideológica, que culmina no romance transcendental da personagem homônima ao título.

Em 2014 publica "Crônicas de um Espelho Meu e os Fabulosos Contos Perdidos do Vale Encontrado" obra poética esculpida a partir de reflexões filosóficas que enfatizam a desconstrução das falsas convicções, a fim de encontrarmos, valores sinceros em nossas vidas. Seguida pelo florilégio "Esplêndida Face Magnífica", que reúne em suas 700 páginas, poemas selecionados de nove de seus livros. Neste ano conclui a Licenciatura em Educação Física e obtém seu registro profissional no Conselho Federal e Regional (CONFEF/CREF).

Em 2015, ano dedicado a experimentalismos literários, rascunha poemas aleatórios, reencontrando-se com seus primeiros anos de escrita. Conclui o Bacharelado em Educação Física, pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio.

2016 ingressa no Curso de Filosofia da Faculdade Internacional de Curitiba. Em fevereiro desse ano, embarca para um breve intercâmbio literário na cidade de Paris, após receber um convite da Curadoria da Biblioteca Nacional da França, para expor suas obras no prédio principal, destinado à Literatura e as Artes, do complexo de quatro edifícios que compõem o acervo de mais 14 milhões de documentos, 32 salas de leitura, salas de exposição e ateliês da Biblioteca François Mitterrand.

Famosa por seu acervo de valor imensurável, que conta com obras originais e manuscritos de escritores imortais, como os filósofos René Descartes, Jean-Jacques Rousseau, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, os romancistas Gustave Flaubert, Alexandre Dumas, Charles Baudelaire e Victor Hugo, dentre inúmeros outros nomes consagrados.

Os meses de fevereiro e março, apresentam uma dinâmica especial, por receberem a “Paris Fashion Week”, aumentando consideravelmente o fluxo de apreciadores das diferentes modalidades de Arte. Sendo que a Biblioteca fez parte deste circuito, da Semana de Moda em Paris, com eventos internos e adjacentes.

Michel F.M. teve uma coleção poética com dez de seus livros exposta ao público, sendo que ao final de março, suas obras foram incorporadas ao acervo permanente de Poesia em Língua Estrangeira, da Biblioteca Nacional da França "François Mitterrand".

O autor também estabeleceu uma parceria com sebos e espaços alternativos, localizados na Avenue Saint Michel, um reduto de literatura e arte parisiense e no Centro Cultural Georges Pompidou (que abarca museus, bibliotecas e instalações artísticas), onde suas obras estão disponíveis.

Em 2018 finaliza sua Especialização em Psicologia aplicada à Educação Física e ao Desporto e a Licenciatura em Filosofia, pelo Centro Universitário Internacional.

Completando em 2019 o terceiro ano à frente do Projeto Movimentalize, dedicado a valorização da Educação Física Escolar e do Movimento Humano, realizado em escolas públicas, que conta com um portfólio composto por milhares de registros relacionados à práxis da Educação Física no âmbito escolar, envolvendo a formação crítico-reflexiva e autônoma de centenas de educandos ao longo desse período.

Adentra 2020 concluindo o lançamento da trilogia “Mestre dos Pretextos”, composta por “Delírio Absoluto da Multidão Atônita” (2016), “Pacífico em Brasas” (2017) e “Atlas do Cosmos Para Noites Nebulosas” (2020).

Participa da Copa Intercontinental de Xadrez e do Seminário Internacional dos Esportes da Mente, realizando a extensão universitária em "Xadrez como inclusão escolar" pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No ano de 2021 é aprovado no Concurso de Mestrado Profissional em Educação Física pela UNESP (PROEF/CAPES).

Publica "Poesia Pandêmica ou O Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis", um relato cáustico e brutal dos dias sombrios, vividos em reclusão, num mundo estilhaçado pelo negacionismo e a estupidez, onde breves relances de lucidez resistem bravamente, esperançando um presente possível.